domingo, 28 de novembro de 2010

A LITERATURA INVADE A ALMA

A literatura tem um problema. Não, não é um problema.
A literatura me tira o sono. Me traz o sonho.
Um monte de novas personagens passam a me habitar, expandindo, dilatando,
ampliando o espaço que eu achava ser de um tamanho, levando-o a dimensões infinitas.
A literatura "enormiza" por dentro e por fora. A gente passa a não caber mais na gente mesmo.
A gente passa a ser todo mundo e ninguém. A gente se transforma na gente mesmo.
A literatura é dura, amarga, doce, dói, alegra e anima. Eu já não sei de nada por que passo a saber de tantos tudos, de tantos outros, de tantas histórias... não cabe mais só a minha, só a sua, só esse mundinho daqui.
A literatura rasga, expande, esgarça, envolve, encobre.

Hoje, agora, a literatura me tirou o sono. Não só ela. Mas ela também.
Agora eu estou com Paula tão perto de mim... com Isabel, fazendo a arrumação daquela casa
na Califórnia, tão cheia de absurdos, querendo arrumar com ela a vida e o espaço, para viver.
Eu estou com ela querendo coragens para as aventuras e também brigando com ela, porque ela afinal não via as que estavam ali, tão perto também. Para logo depois me desculpar e dizer... desculpa Isabel, é que fiquei muito íntima, já tô querendo dar ideia, discutir sua vida. Mas sua vida é linda Isabel. Seus teatros em família, suas noites escrevendo romances, suas histórias cheias de magias e personagens exóticos. Tão lindos.

Acabei de ler Paula de Isabel Allende. Hoje eu estou com saudade do que não fui e alegria pelo o que posso ser a cada dia. Hoje Isabel segura minha mão e me leva com ela para um vôo, por cima do cenário banal da vida cotidiana, para ver colorido e do avêsso tudo o que nos circunda.
(Valéria, valeu a dica!)
No livro "Paula" , Isabel Allende escreve para sua filha de 28 anos que, acometida por uma doença rara, entra em coma. Por meio de cartas escritas enquanto acompanhava a convalescência da filha, Isabel narra a incrível história de sua vida, das memórias da família. Um mergulho na história do Chile e do Golpe Militar dentre outros . Belíssia história.

5 comentários:

  1. Que bonito, Dri!

    E ainda tem gente que acha que literatura e arte, de uma maneira geral, não serve pra nada. Mas serve sim! Serve pra gente se redescobrir descobrindo o mundo e os outros, pra gente pensar, doer, alegrar e se constituir como ser humano. Nos torna sensíveis pra viver, o que acho imprescindível neste mundo.

    Adorei passar aqui e me deparar com sua alegria e sensibilidade inspiradas na literatura.

    Grande beijo, flor!

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  2. Que lindo depoimento, Adrianne! Fiquei até emocionada! Fiquei com vontade de ler o livro de novo! Ao ler "Paula" vemos de onde Isabel tirou a matéria-prima para "A casa dos espíritos". Fico muito feliz que tenha lido e apreciado. Muita gente acha triste demais, mas é OURO. Beijos, com Deus

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  3. Bela escritora e de letras profundas, gosto de quando seus livros viram filmes

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  4. Alexandre SantosDec 12, 2010 06:02 PM

    Adrianne, estava sumido, e não poderia ter voltado em um momento mais especial que esse. Como disse a Valéria, tão lindo que emociona. Ao terminar de ler, senti uma paz, uma tranquilidade "intranquila" que trouxe o desejo de mergulhar na obra literária de Isabel. Mais uma vez percebo que aqui é um bom lugar pra se estar, nos "enormizamos" ao compartilhar de momentos tão significativos. Tenha uma linda semana!

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  5. Alexandre, Edniney, Val e Belle, bom partilhar essas leituras que nos atravessam com vcs...

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