EQUADOR DE Miguel Sousa Tavares.
Leitura de novembro do Desafio Literário 2010 (aliás, para os interessados, já está lançado o Desafio Literário 2011, vejam no blog do Desafio as regras para a participação), confesso que li no início do ano. Me explico. O livro estava "dando sopa", uma amiga da minha filha tinha acabado de ler e me perguntou se eu queria emprestado. Antecipei o desafio e li "por conta". Uma de minhas alunas da pós já havia comentado que esse tinha sido um livro muito importante em sua história de leitora. Eu já estava bem curiosa e lá fui eu. Vou então tentar resgatar um pouco do que ficou, do que lembro, recorrendo também a outros leitores do mesmo livro para refrescar minha memória.
A história:
A história se passa inicialmente em Lisboa do começo do século XX. Luis Bernardo Valença, um intelectual lisboeta, solteirão, bon vivant de seus quase 40 anos, é chamado pelo Rei D. Carlos I que lhe concede a "honra de realizar uma missão pela sua pátria". Valença era conhecido por divulgar nos salões de Lisboa suas ideias estratégicas para o país porém, era pouco experiente no campo prático. A missão consistia em instalar-se em uma das colônias portuguesas, São Tomé e Principe, para averiguar se as condições de trabalho dos colonos eram dignas ou se havia ainda sistema de escravidão. Seria enviado para São Tomé um consul inglês que precisava ser convencido de que o trabalho escravo em Portugal já fazia parte do passado. Por trás da roupagem humanista, alegando o uso ilegal do trabalho escravao, estavam, claro, claro, os interesses comerciais dos outros países (qualquer coincidência com os tempos atuais não é coincidência).
Boa parte do livro cruza elementos da história de Valença na colônia com a história do consul inglês, até o encontro dos dois. Paixões, exílio, política... várias histórias paralelas vão acontecendo e o livro vai nos arrastando para aquela longínqua localidade e as agruras de Valença. O país, seus moradores, as comidas, o trabalho, a solidão, o repensar do protagonista de sua própria vida... rica tecelagem.
Curiosidades/ fofocas literárias:
1- Amigo de Maitê Proença (namoro? não sei bem), parece que ele foi um bocado criticado e acusado de plágio. Maitê parece que também andou fazendo comentários mal colocados sobre os portugueses e desagradou o povo. Botaram os dois no liquidificador. Li umas coisas feias por aí sobre o assunto mas coisa feia eu costumo esquecer e já nem sei mais do que se tratava mesmo a tal pendenga.
2- Seu livro virou uma minisérie de tv em Portugal, produção cara e aclamada por muitos. No youtube você consegue ver as chamadas.
3. R. acha o romance do livro brega, mal escrito, inverrossível, forçado. Como ela só me falou isso depois que eu li, fique tentando pensar afinal o que eu tinha achado... "acho" que não me causou estranhamento, me senti meio dentro daqueles romances épicos cheio de exageros, de erotismo barato... sei lá. Não desgostei das situações amorosas mas também não bateu o coração mais forte. Engoli e me diverti, para falar a verdade...
Uma palavrinha final
Gosto um bocado de enredos que cruzam elementos da História com ficção. Gostei do livro e li com sabor. Indico!

Adorei o seu Blog e fiquei curiosa pra ler o livro do ARTUR DA TÁVOLA
ResponderExcluirO legal do desafio é que tu fica conhecendo livro q tu nunca ouviu falar e esses é um deles, parece interessante, mas sei lá, a literatura portuguesa não me chama muito a atenção, salvo alguns autores.
ResponderExcluirEu tambem estou lendo Equador, ainda estou na metade do livro e estou gostando bastante. Beijos
ResponderExcluirPareceu muito bacana, como a Kézia comentou, legal do desafio é descobrir livros novos. Esse é o caso. Não conhecia o autor nem seu livro. Fiquei com vontade de ler também.
ResponderExcluirEstou lendo o livro também para o DL. Até agora tem me entretido bem. =D
ResponderExcluirBeijocas