terça-feira, 5 de outubro de 2010

NO MUNDO DA IMAGINAÇÃO


Definitivamente, tenho dificuldades com tarefas mecânicas, repetitivas, que não mobilizam criação, pensamento. (Re) descubro isso a cada dia.
Comecei a correr ouvindo música, o que é uma novidade para mim, que sempre o fiz atenta a tempos, distâncias, respostas do corpo. Pois bem. Graças a minha filha e enteado, estou com uma play list muito animada. Fui me dando conta de como a música ia me impactando, alterando meu ritmo, provocando desejo de movimento. Gosto das histórias que posso criar enquanto realizo algumas atividades. Ali, na orla de Copacabana, ouvindo ritmos fortes e sincopados, as histórias sem enredo, feitas de passadas hora rápidas, hora lentas, tornaram a corrida muito mais divertida! Guiaram mesmo o corpo pelo vento, pelo espaço.
Lembro que quando era criança e passava boa parte do meu tempo na casa de minha avó, vizinha a de meus pais, todos os dias de manhã ela (a avó) me dava um mingau de maisena (ai, assim lembrando deu até saudades dessa comida). Eu era magrinha (era do verbo "não sou mais assim tão magriiinha") e a família inteira tinha essa preocupação de “alimentar aquela menina”. Só que para a avó, mingau todos os dias (digo t-o-d-o-s, sem exceção) era não só fundamental, como absolutamente obrigatório. Eu não sei por que, mas não discutia muito essa questão não (acho que na minha infância, as ordens que vinhaM dos pais e mais velhos eram leis...). O fato é que eu, não suportando mais comer todo os dias o mesmo prato de mingau, criava uma história para conseguir fazê-lo: eu era uma sobrevivente, andando faminta pelo deserto, aquele era o primeiro prato de comida que eu via depois de muitas intempéries. Então, sorvia o alimento como sobrevivente faminta que era. E era esse o jeito que eu dava. Aprendi a dar esse jeito em um monte de outras situações em que a realidade não me parecia assim tão palatável.

O caso é sério e tenho me esforçado para lidar melhor com isso. Sério assim: me bote para preencher um documento longo, em que só é necessário colocar informações, zero de pensamento. Nossa, tenho que prestar atenção demais senão, é erro na certa. Me coloque numa sala de musculação fazendo os M-E-S-M-O-S exercícios seguidamente, pode contar (e posso comprovar, pois já tentei algumas vezes), não dura. Bem sei que tem uma porção de coisas que exigem lidar bem com tarefas do tipo. Tenho aprendido a me resolver melhor nesse campo. Mas uma “menina maluquinha” dentro de mim, ainda se insurge (para quem não leu, “Menino Maluquinho” do Ziraldo é um convite a compreender esse lado viajante da criança. Nas telas o filme “O Pequeno Nicolau” é também outra obra prima sobre o assunto, além das tirinhas maravilhosas de Calvin e Haroldo).
A imaginação é mesmo uma grande aliada.

3 comentários:

  1. É Adrianne,
    Equilibrar disciplina e ousadia, ciência e criatividade, razão e emoção, reprodução e imaginação, heteronomia e autonomia, e lidarmos com o fato de que precisamos aprender a não atravessar sentimentos, mas tendo consciência das coisas, de nossos limites e pitadas de transgressão - com responsabilidade e respeito ao Outro e a nós mesmos... não é algo tão fácil, pode inclusive nos deixar muito tristes, depressivos. Esses momentos de trocas são fundamentais para repensarmos atitudes com nossos colegas virtuais e nosso posicionamento nos ajuda a nos conhecer mais.
    A tua escrita clara, tranquila, coerente, verdadeira é espelho aos sentimentos e convite a esse re-olhar e tantas releituras.
    Bjs.

    ResponderExcluir
  2. Olá Professora!
    Acabei de terminar meu tema, problema e hipóteses! Como foi difícil, pois dá vontade de abraçar o mundo ao invés de "delimitar". Nesse contexto, escolhi a leitura como foco, enfatizando a necessidade de ler buscando construir conhecimento e não mera informação. Precisamos dar algo de nós nesse momento, interagir, reagir! Como o livro é um ótimo LUGAR pra se estar, a imaginação é uma grande aliada a estar em diferentes lugares e viajar constantemente! Tem sido muito prazeroso estar aqui, ver suas colocações sobre diversos assuntos bem como as observações daqueles que te "seguem". Muito pertinentes as colocações de Rocio sobre os momentos de troca. E aqui, certamente, tem sido um bom lugar para se estar e construir conhecimento. Um grande abraço e boa semana!!

    ResponderExcluir
  3. Maria e Alexandre,
    É sempre bom tê-los por aqui. Receber a devolução, ou seja, o que minhas despretensiosas linhas movimentaram em vocês é sempre muito bacana. Abço,

    ResponderExcluir

Com seu comentário, me animo a estar por aqui!