quinta-feira, 19 de novembro de 2009

LIVROS AGUARDANDO NA ESTANTE





(foto de Alberto Manguel)

Anualmente vou a pelo menos dois congressos/colóquios/seminários. Nestes eventos sempre me perco nos stands de livros. Já foi pior. Hoje em dia consigo comprar menos livros. Sei que não consigo ler tantos assim...

O resultado desses anos de congressos são estantes cheias de livros que me aguardam. Folheio uns e outros, esqueço uma parte deles, me aproximo de alguns... É difícil dar conta do volume de leitura e escrita que meu trabalho e minha compulsão leitora exigem.

Importante dizer também que sou uma leitura promíscua. Começo o namoro com um, pulo para outro, esbarro com um terceiro... é claro que no meio do caminho tem sempre algum que "me pega de jeito" e não me deixa olhar para o lado. Ai namoro firme. Mas continuo com as paqueras por perto, na cabeceira, nas prateleiras, esperando o fim do romance por uma chance.

Hoje encontrei com um desses livros comprados em Congresso. "Porque escrever é fazer história. relações, subversões, superações", organizado por Guilherme do Val Toledo Prado e Rosaura Soligo, ambos professores e pesquisadores da UNICAMP. Comecei "do começo" (ou quase, pois pulei o prefacio, confesso, Pennac me entende). O primeiro artigo, "Leitura e escrita, dois capítulos dessa história de ser educador", escrito pelos organizadores, trata um pouco da história da escrita de uma forma muito original pois convida diversos autores, de épocas diferentes, para um "diálogo" forjado por Guilherme e Rosaura. É assim que Voltaire, Perrault, Graciliano Ramos, Paulo Freire, dentre outros, vão trazendo elementos sobre a escrita a leitura que se articulam muito bem na trama do texto. Vários trechos me encantaram e um em especial transcrevo para partilhar com os possíveis leitores desse post.

"Tenho o livro aberto diante de mim, sobre a minha mesa. O autor, cujo rosto vi no belo frontíspicio, está sorrindo com satisfação e sinto que estou em boas mãos. Sei que, à medida que avançar, pelos capítulos, serei apresentado àquela antiga família de leitores, alguns famosos, muitos obscuros, da qual faço parte. Aprenderei suas maneiras e as mudanças nessas maneiras, e as transformações que sofreram enquanto levaram consigo, como magos de outrora, o poder de transformar signos mortos em memória viva. Lerei sobres seus triunfos e perseguições, sobre suas descobertas quase secretas. E, no final, compreenderei melhor quem eu - leitor - sou. "(Alberto Manguel, 1997)

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Viver com, convivência



Morei muitos anos em Santa Teresa, um bairro que fica no alto do morro, eminentemente residencial. Casas, quintais, verde.
Conhecia o dono da mercearia, ouvia as conversas inflamadas dos vizinhos, cumprimentava os passantes com familiaridade. A casa era sempre cheia. Quintal arborizado, cachorros soltos (mansos de dar dó, apesar de serem pastores, cães de guarda). crianças, muitas crianças brincando por ali.
Sinto falta dessa convivialidade, da hospitalidade generosa dos amigos que faziam de suas casas, lugar de encontro e convivência. Coisa boa de viver.

Esses dias uma amiga mais do que querida, estudiosa do Cabalá, falava da hospitalidade, de receber o outro/ a vida como ela vem. Gosto desse exercício, nada fácil, de prestar atenção na vida. Quero Santa Teresa em mim, sempre.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

O clube do filme de David Gilmour

Essa foi, sem dúvida, uma das boas leituras desse ano! Quando li os comentários a respeito do livro, fiquei interessada e fui conferir. Trata-se do relato de uma experiência vivida pelo canadense David Gilmour com seu filho quando este vivia as crises e experiências da adolescência: desinteresse pela escola, descobertas amorosas, enfim, a busca por seu lugar no mundo.
Vendo a total apatia de seu filho com relação aos estudos, Gilmour faz uma proposta ousada. O filho poderia parar de estudar com a condição principal: que assistisse com ele, seu pai, a três filmes por semana. Ai a história de fato começa. O pai, ligadíssimo em cinema, faz escolhas variadas, orientadas pela percepção dos temas interessantes para os diferentes momentos que eles vivem, bem como com o objetivo de oferecer ao filho um panorama do que considerava mais relevante em termos de produção cinematográfica. Após o filme, quase sempre conversavam e Gilmour tinha especial cuidado para não ser chato, didático, mas deixar o "papo rolar". É muito bacana ver os assuntos que se desfiam tendo como mediador os enredos dos filmes, a descoberta dos cineastas, as observações sobre os elementos do cinema (luz, planos, etc). As histórias paralelas, por trás das câmeras, eram também contadas pelo pai, um "a mais" que acendia a curiosidade do jovem.
Achei um belíssimo depoimento, transformado em boa literatura. Faz pensar na escola e em seu enquadramento, por vezes tão hostil; na relação entre pais e filhos, cheia de desafios que envolvem encontros e desencontros.
Procurando imagens do livro, encontrei esse simpático blog de um pai de trigêmeos. Adorei o texto que ele fez sobre o filme. Ele traz o olhar de pai e de estudante, que embora adorasse o estudo, odiava a escola. Bom de ler.
http://ostrigemeos.blogspot.com/2009/10/o-clube-do-filme.html

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Como um romance de Daniel Pennac



Tirando os livros da estante, redescobri o Como um romance, um ensaio delicioso sobre a leitura, "ato íntimo, alquimia privilegiada entre autor e leitor". Faz tempo que tenho esse livro em casa, me foi indicado por uma amiga muito especial, a Tereza Cristina, com quem tive a honra de escrever uma monografia no curso de Especialização da PUC (trabalho dos que mais tenho orgulho e lá se vão mais de 10 anos de sua feitura). Na verdade, eu já tinha pescado vários trechos, numa leitura zapeada. Agora foi diferente. Peguei o livro "de jeito" (ou será que foi ele que me pegou?). E o resultado? um encantamento,ou mais, um "encontro-amento".
Tenho como prática (e isso é coisa de uns anos pra cá) ler com uma lapiseira nas mãos. Ao longo da leitura vou "conversando" com o livro. Meus assombros, minhas alegrias, minhas especulações. São frases curtas, as vezes só mesmo para dizer que aquilo me tocou de modo especial. Lendo Pennac, não foi diferente. Destaco um trecho, desses que a lapiseira não se aguentou e teve que sorrir junto, na verdade uma citação que Pennac faz de Paul Valery, afirmando ser a oralidade a porta de entrada para a leitura, vejam que lindo:

"(...) Na idade mais tenra, mal cessa de nos contar a cantiga que faz o recém-nascido sorrir e adormecer, abre-se a era dos contos. A criança os bebe como bebia seu leite. Ela exige a seqüência e a repetição das maravilhas, ela é um público implacável e excelente. Sabe deus as horas que perdi em alimentar de mágicos e monstros, piratas e fadas, os pequeninos que gritavam: Mais! a seu pai fatigado." (Valery, apud Pennac, 1993, p. 54)

Para quem, como eu, tem filhos e/ou teve a chance de contar histórias para crianças, essa passagem revela os prazeres desse momento inicial que envolve narrador e ouvinte, na costura da narratividade. Pegadas dos leitores que vamos nos tornando.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

DESAFIO LITERÁRIO: atualiação em 5/11


A ideia me ganhou. Vamos lá. Uma boa oportunidade de ler os livros que se acumulam na estante e nas pilhas da cabeceira da cama, esperando pacientemente para serem lidos. Depois que me envolvi com o projeto, dei para olhar para os livros da minha casa com ares gulosos. No impulso, li Daniel Pennac (Como um romance), comecei Erico Veríssimo (Solo de Clarineta I, gracias a la Renata Lins), dentre outras pérolas. O desafio ainda é escolher o livro que tenha a ver com contos de fadas. Esse eu realmente não sei ainda...

O Desafio literário é proposto pelo blog de Vivi http://romancegracinha.com/2009/10/desafio-literario-2010-by-rg/comment-page-2/#comment-1389, que me foi indicado por Larissa uma amiga blogueira. Posto aqui os romances que escolhi para participar do desafio. Posso substituir os títulos até o final do ano, assim, estou aberta a sugestões (para falar a verdade, não estou bem certa da escolha de alguns livros que coloquei na lista...).


Agenda do Desafio 2010 By RG



Janeiro – O desafio é ler um Romance de Banca ao estilo da Nova Cultural, Harlequin, entre outras.

1- Um conto de Natal de Charles Dickens (L&PM POCKET).
Acho essas coleções da L&PM muito legais, são baratas e oferecem um cardápio variado de títulos. Dá para achar em grandes bancas de jornal também.
2- Madame Bovary de Gustave Flaubert. (L&PM POCKET)


Fevereiro – Um livro que nos remeta aos contos de fada.

1- Confissões de uma irmã de Cinderela de Gregory Maguire.

Março – Um clássico da Literatura universal. Só vale aquele que você nunca leu na vida.

1) A Ilíada de Homero (Ediouro)
Já li Odisséia, vou complementar.
3) Mulher de 30 anos - Balzac (em homenagem a Lu Russa, cuja opinião tenho em "alta conta")

Abril – Um livro de escritor(a)Latino-Americano. Leitura inédita só para lembrar!

1) Tia Julia e o escrevinhador de Mario Vargas Llosa (ed Alfaguara)
Esse eu comecei, parei. Mas vi que tinha futuro. Vou insistir.
2) Primeiras histórias de João Guimarães Rosa.

Maio – Para aliviar, vai aí um Chick-lit. O mar está para peixe no que diz respeito ao gênero.

É agora ou nunca de Marian Keyes. (Ed. Bertrand Brasil).

Eu não fazia ideia do que era isso e "descobri" que é livro "mulherzinha", romances para garotas, ou seja, bobagens gostosas, tipo pipoca, daquela que se lê escondido. Numa viagem com minha filha, no auge da adolescência, devoramos alguns títulos da Marian Keyes (que descobri também ser um ícone do gênero).

Junho – Um livro de uma escritora brasileira.

1- A noite escura e mais eu e

2- Meus contos preferidos (ambos da Ligia Fagundes Telles).

Acho a Ligia incrível e as entrevistas dela na revista Literatura são sempre impactantes. Preciso e quero conhecer mais dessa autora.

2- Aprendendo a viver de Clarice Lispector.

Gosto muito muito da Clarice, para mim, ela fala de entranhas.

Julho – Um livro adaptado para o cinema. O que mais há ultimamente!


Por quem os sinos dobram de Ernest Hemingway (esse eu lembro sempre da Rê e de uma sessão de cinema no CSVP, lá se vão mais de 20 anos... mas nunca tinha lido, achei num sebo, lá vamos nós)

Agosto – Um romance policial. Vale os autores mais clássicos ou autores do romance “romântico” policial.

Os assasinatos na rua Morgue e A carta roubada de Edgar Allan Poe - Ed. Paz e Terra. (isso se enquadra?)

Setembro – Um romance histórico. Cá entre nós, esse gênero é o queridinho de muitas!

As memórias de Cleópatra sob o signo da Afrodite de Margaret George (ed. Geração)

Outubro – Um livro que contenha uma lição de vida. Pode ser ficção ou não-ficção.

Contos de Machado de Assis (Filosofia), organização de João Cezar de Castro Rocha. (ed. Record).

Novembro – Um livro de escritor(a) de Portugal. Com a aproximação ortográfica porque não uma aproximação literária?

As pequenas memórias de José Saramago (Companhia das Letras)

Dezembro – Um livro (ficção ou não ficção) que tenha a palavra “Coração” no título.

Coração andarilho de Nelida Pinon (esse pesquisei na livraria Cultura de SP e encomendei, fui na intuição).


domingo, 25 de outubro de 2009

De ensinar e aprender...

Estou ministrando uma disciplina em um curso de Especialização em Alfabetização em Macaé (aliás, a imagem aí em cima é da praia de Cavaleros, em Macaé, que de verdade só vi de longe...). Turma grande, a maioria professores e/ou coordenadores em exercício, cheios de experiências, curiosidade e confiança no ato de educar. Tem sido uma boa experiência! Tanto nessa turma quanto em uma outra que tenho na PUC (essa de Especialização em Educação Infantil), tenho levado a literatura sistematicamente para a sala de aula.
Tenho uma prática (e não é de hoje) de iniciar os encontros/aulas com a leitura de um texto literário. É. Nada de artigo científico. No começo era a literatura.
Nas última aulas, lemos a pérola de João Ubaldo Ribeiro "Memória de livros". Trata-se de um excerto do livro "Um brasileiro em Berlim". Nesse texto delicioso, Ubaldo resgata sua infância entre livros, descortinando memórias que nos levam a seu pai, um voraz leitor que fazia constantemente, serões literários com seus filhos. A figura do pai, "áspero e terno" nas palavras de Jorge Amado, é ímpar e nos faz pensar sobre a presença do outro em nossa formação como leitores (e escritores). (para quem se interessar: http://www.releituras.com/joaoubaldo_memoria.asp)
A fórmula para formar leitores não é matemática, revelam os vários textos memorialísticos sobre o tema que tenho lido (aliás, adoro esse gênero textual). Leitura compulsória? Leitura "livre"? Ler junto? São vários os caminhos que levam a formação do leitor. Mas aqui, nesse post rapidinho, quero mesmo é frisar que, como professora que sou, acredito que na relação ensino-aprendizagem, não basta que exploremos teoricamente os diferentes temas que pretendemos abordar. É vital que possamos abrir espaços que mobilizem os sentidos, espaços de experimentação, de fruição. Não basta, no caso do tema alfabetização, discutir a relevância de formar leitores e escritores, é preciso que o professor, ele próprio, seja leitor e seja escritor. Viva e experimente a leitura.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Selo simpático





Maria do Rocio Rodi, uma nova amiga de blog, educadora apaixonada como eu, me enviou esse simpático selo, seu blog é uma delícia e traz questões sobre o ensinar e aprender apresentadas com detalhes e boas reflexões, vale a pena visitar: http://rociorodi.blogspot.com/
Ela me disse que é preciso seguir algumas regras, e eu estou aprendendo como funciona, vamos ver:
As regras:1 - Dizer quem te presenteou com o selo e colocar o link do blog;2 - Copiar o questionário e responder a ele;3 - Presentear 5 blogs com o selo. Responder o questionário é sempre gostoso, embora eu tenha que escolher entre dezenhas de respostas que me vem a cabeça. Mas vamos lá... Na verdade acho que levarei as perguntas de forma leve...


1. MANIA: de escrever com lapiseira com grafite 4B , alías, sou meio maniaca por artigos de papelaria no geral. Tenho também a mania de acreditar na espécie humana,

2. PECADO CAPITAL: preconceito, sempre.
3. MELHOR CHEIRO DO MUNDO: cheiro de pele (de quem amamos) e de mar, cheiros que dão saudade e alegram,
4. SE DINHEIRO NÃO FOSSE PROBLEMA EU FARIA: tantas coisas... de desejos pessoais, conheceria o mundo todo, de motivações mais coletivas, um centro cultural para todos, acolhedor e repleto de boas experiências
5. CASOS DE INFÂNCIA: tinha no meu quarto um baú de fantasias de minha mãe que foi atriz durante um tempo. Mergulhar naquelas fantasias era uma brincadeira sempre presente, me constituiu
6. HABILIDADES COMO DONA DE CASA: em momentos inspirados, adoro fazer comidinhas para todos apreciarem e gosto de organizar as coisas para todos se sentirem bem cuidados,
7. O QUE NÃO GOSTA DE FAZER EM CASA: faxina pesada e passar a roupa...
8. DESABILIDADES COMO DONA DE CASA: Xi... essa não sei...
9. FRASE: Só sei que nada sei pode ser uma boa frase... compreender os limites do conhecimento nos abre os olhos para seus alcances,
10. PASSEIO PARA ALMA: A cidade italiana de Assis, um sonho que vivi no ano passado, inesquecível, um lugar que mexe com o coração.
11. PASSEIO PARA O CORPO: Itália também, é alma e corpo, como deve ser.
12. O QUE ME IRRITA: desrespeito, hostilidade e ironia. Não entendo ironia, pois ela vem sempre carregada de hostilidade.
13. FRASE OU PALAVRA QUE FALA MUITO: ... xi... são tantas...
14. PALAVRÃO MAIS USADO: juro, evito sempre falar palavrão.
15. DESCE DO SALTO E SOBE O MORRO QUANDO: sempre que posso.
16. PERFUME QUE USA NO MOMENTO: Be delicious de DK, mas acho que a essa altura, nem deve mas dar para sentir...
17. ELOGIO FAVORITO: repito o texto de Maria, elogios ditos com sinceridade me encantam e aquecem (confesso que gosto muito de elogios, carente que sou)
18. TALENTO OCULTO: está oculto oras.
19. NÃO IMPORTA QUE SEJA MODA NÃO USARIA NEM NO MEU ENTERRO: mangas bufantes e saia godê;
20- QUERIA TER NASCIDO SABENDO: falar todas as línguas, dançar ballet lindamente, me comunicar plenamento com todos.
21. EU SOU EXTREMAMENTE: inquieta, desejosa de aprender e viver cada vez mais, movida pelo afeto, ligada ao trabalho como mola vital,
Agora o selo "A dona deste blog é uma fofa" vai para as seguintes colegas blogueiras:
1. Valéria Martins de A pausa no tempo, http://pausadotempo.blogspot.com/, blog delicioso de ler, com textos dos assuntos mais variados e forte presença da literatura e da cultura de um modo geral,

2. Patricia Porto de Sobre pétalas e preces, http://pporto.blogspot.com/, querida amiga poetisa, de textos delicados como pétalas e intensos como preces,
3. Edna Fadinha, de O mundo da fadinha, http://omundodefadinha.blogspot.com/, professora de Educação Infantil, seu blog é uma alegria para os olhos,
4. Lu Russa, de Garotinha ruiva, http://www.garotinharuiva.blogger.com.br/, uma dos primeiros blogs que descobri, Lu Russa tem uma escrita ágil, prazerosa, compartilhando suas experiências pelo mundo a fora de forma sempre cativante e inteligente, adoro,
5- Cris Ruivo de Cantinho da Cris, http://cris-pedagoga.blogspot.com/, recem descoberto, cheio de coisas "fofas" e a presença da educação por lá, pulsando.