
(foto de Alberto Manguel)
Anualmente vou a pelo menos dois congressos/colóquios/seminários. Nestes eventos sempre me perco nos stands de livros. Já foi pior. Hoje em dia consigo comprar menos livros. Sei que não consigo ler tantos assim...
O resultado desses anos de congressos são estantes cheias de livros que me aguardam. Folheio uns e outros, esqueço uma parte deles, me aproximo de alguns... É difícil dar conta do volume de leitura e escrita que meu trabalho e minha compulsão leitora exigem.
Importante dizer também que sou uma leitura promíscua. Começo o namoro com um, pulo para outro, esbarro com um terceiro... é claro que no meio do caminho tem sempre algum que "me pega de jeito" e não me deixa olhar para o lado. Ai namoro firme. Mas continuo com as paqueras por perto, na cabeceira, nas prateleiras, esperando o fim do romance por uma chance.
Hoje encontrei com um desses livros comprados em Congresso. "Porque escrever é fazer história. relações, subversões, superações", organizado por Guilherme do Val Toledo Prado e Rosaura Soligo, ambos professores e pesquisadores da UNICAMP. Comecei "do começo" (ou quase, pois pulei o prefacio, confesso, Pennac me entende). O primeiro artigo, "Leitura e escrita, dois capítulos dessa história de ser educador", escrito pelos organizadores, trata um pouco da história da escrita de uma forma muito original pois convida diversos autores, de épocas diferentes, para um "diálogo" forjado por Guilherme e Rosaura. É assim que Voltaire, Perrault, Graciliano Ramos, Paulo Freire, dentre outros, vão trazendo elementos sobre a escrita a leitura que se articulam muito bem na trama do texto. Vários trechos me encantaram e um em especial transcrevo para partilhar com os possíveis leitores desse post.
"Tenho o livro aberto diante de mim, sobre a minha mesa. O autor, cujo rosto vi no belo frontíspicio, está sorrindo com satisfação e sinto que estou em boas mãos. Sei que, à medida que avançar, pelos capítulos, serei apresentado àquela antiga família de leitores, alguns famosos, muitos obscuros, da qual faço parte. Aprenderei suas maneiras e as mudanças nessas maneiras, e as transformações que sofreram enquanto levaram consigo, como magos de outrora, o poder de transformar signos mortos em memória viva. Lerei sobres seus triunfos e perseguições, sobre suas descobertas quase secretas. E, no final, compreenderei melhor quem eu - leitor - sou. "(Alberto Manguel, 1997)









