Neologismo
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*(Imagem: h.koppdelaney)*
O garoto chegou em casa, vindo da escola, e anunciou que, quando crescesse
"só mais um pouco", queria ser dono de uma padariaci...
domingo, 7 de fevereiro de 2010
HAITI HOJE
Estou fazendo a seleção de praças que viajarão em Missão de Paz ao Haiti. Muitos já foram e agora retornam. Trabalho intenso, que me exige especial escuta. Torço para que possamos dar algum tipo de ajuda.
domingo, 31 de janeiro de 2010
AI QUE CALOR Ô Ô Ô Ô Ô
Tenho escutado algumas explicações, com base científica ou nem tão científica assim. Uns dizem que esse calorão é por conta do excesso de veículos das grandes cidades, outros em função do desmatamento, dentre outras razões. Mas o fato é que , GOD, eu não me lembro de sentir tanto calor assim quando eu era criança ou adolescente (opa, outra hipótese: balzaquianas sentem mais calor!). Não estou sozinha nessa impressão calorenta, ouço tanta gente falando disso...
Enfim, saara à parte, ontem ganhei um leque numa festa de casamento, não é uma ideia genial e simpática? Talvez a nova solução para os tempos atuais: um leque na bolsa. Não sei vocês, mas por aqui no RJ, a coisa "tá quente".
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
EU GOSTO DE REVISTA CARAS
Ontem eu falei brincando. Mentira. Era verdade. Eu confesso: eu leio revista Caras. Tudo bem, meu orgulho elitista metido a besta me impede de ser assinante, não chego a isso. Mas que eu leio eu leio. No salão, folheando na banca da esquina, no consultório da nutricionista... aonde ela aparecer, eu leio. Eu tenho mil explicações incríveis para dizer que é um absurdo "alimentar esse lixo cultural, que glamouriza a vida de uns e outros, que se alimenta da invasão da privacidade, que isso e que aquilo". Mil referências bibliográficas para sustentar o absurdo dessas produções. Mas gente, eu leio e ponto. Com vergonha e sem vergonha.
E por falar em indústria cultural ... Essa semana revi o filme "Muito alem do jardim", de 1979. O filme conta a história de um homem de meia-idade que passa a vida inteira como jardineiro de uma mansão e que, por ocasião do falecimento de seu patrão, é obrigado a ir para o mundo. E tudo o que ele sabia da vida estava ligado a sua experiência com a jardinagem e com a televisão. Ele gostava de assistir tv. O engraçado disso tudo é que as pessoas que ele encontra vão atribuindo outros sentidos as observações ingênuas e simples dele e ele passa a ser tido como um grande visionário. É engraçado e tem a ver com o que eu estou falando sobre nossa relação com a produção cultural. Dividimos as pessoas a partir do que gostam e fazem e passamos, as vezes, a olhá-las por essas lentes. O filme, que dizem ser uma comédia, é para mim, bem sério também.
-------------------------------------------------------------------------------------------------------------Muito Além do Jardim
titulo original: (Being There)
lançamento: 1979 (EUA)
direção: Hal Ashby
atores: Peter Sellers , Shirley MacLaine , Melvyn Douglas , Jack Warden , Richard Dysart
duração: 130 min
gênero: Comédia
sinopse:Chance (Peter Sellers), um homem ingênuo, passa toda a sua vida cuidando de um jardim e vendo televisão, seu único contato com o mundo. Ele nunca entrou em um carro, não sabe ler ou escrever, não tem carteira de identidade, resumindo: não existe oficialmente. Quando seu patrão morre, é obrigado a deixar a casa em que sempre viveu e, acidentalmente, é atropelado pelo automóvel de Benjamin Rand (Melvyn Douglas), um grande magnata que se torna seu amigo e chega a apresentá-lo ao Presidente (Jack Warden). Curiosamente, tudo dito por Chance ou até mesmo o seu silêncio é considerado genial. Paralelamente a saúde de Benjamin está crítica e Eve Rand (Shirley MacLaine), sua esposa, se apaixona por Chance.
elenco:Peter Sellers (Chance)
Shirley MacLaine (Eve Rand)
Melvyn Douglas (Benjamin Rand)
Jack Warden (Presidente "Bobby")
Richard Dysart (Dr. Robert Allenby)
Richard Basehart (Vladimir Skrapinov)
Ruth Attaway (Louise)
David Clennon (Thomas Franklin)
Fran Brill (Sally Hayes)
Denise DuBarry (Johanna)
Oteil Burbridge (Lolo)
Revenell Keller III (Abraz)
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
AI UI AI UI: cansei um pouco
Os textos acadêmicos, mais das vezes, são um bocado espinhosos. Você entra neles, vai se envolvendo com as temáticas, faz sentido, tem bons encontros ... mas puxa, a estrutura desse gênero textual não é das mais saborosas. E eu vivo mergulhada neles. As vezes tenho que pegar a "britadeira" para entrar, outras vezes ele me abre a porta, puxa até cadeirinha e oferece chá. Mas hoje... Hoje eu tô cansada e louca por uma revista Caras.
sábado, 23 de janeiro de 2010
CELEBRANDO OS AMIGOS
Essa semana encontrei uma amiga muito mais que querida. Tive o prazer e a honra de tê-la como parceira de trabalho por um período, colega de turma de especialização em outro e, juntas, escrevemos uma monografia. Aprendo muito com meus companheiros. Com ela aprendi tanto... profissional competente, meticulosa, atenta, inteligente e amorosa.
Uma das coisas que aprendi com ela, dentre outras tantas, foi ter mais calma com relação as expectativas que temos do outro, digo isso especialmente com relação ao trabalho de acompanhamento e formação de professores. Quando trabalhamos juntas na implementação de um projeto de trabalho na escola que coordenei durante mais de 10 anos, observava ela atuando e me chamava atenção o fato de que ela, com tudo e tanto que sabia sobre os assuntos em questão, tinha toda a tranquilidade para ir lidando passo a passo com as demandas do trabalho. Eu, na minha louca pressa da época (hoje, "acho", desacelerei um pouco), ficava pensando que tínhamos que dar conta de mil e uma coisas. Ela ia dando seus passinhos firmes, um após o outro. Chegar era importante, claro, mas o caminho era muito mais. E o caminho era bonito, tinha raíz forte.
Eu gosto de celebrar os amigos. A vida fica mais bonita com eles por perto. Fico feliz dessa amiga querida estar por aqui. Saúde!
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
sábado, 9 de janeiro de 2010
DESAFIO LITERÁRIO: Janeiro, Romance de banca.
A ESCOLHA:
UM POUCO SOBRE O ROMANCE E SEU AUTOR:
MADAME BOVARY:
COMO O ROMANCE ME “PEGOU”
Dou início ao projeto Desafio Literário proposto por Vivi do blog “Romance Gracinha”: foi dada a largada. O primeiro desafio consiste em ler em janeiro um “romance de banca”. Na minha tradução, romances de banca são aquelas brochuras com capas cheias de sensualismo e histórias de paixões avassaladoras, do tipo Biancas, Sabrinas, Júlias. Não li muito desses livros na adolescência e os que li, ainda que tenham despertado minha curiosidade e tenham sido agradáveis de ler, nunca me arrebataram não. Talvez sempre tenham me soado tão irreais aqueles amores românticos que, de alguma forma, eu não me envolvia de verdade.
“Resolvi” o dilema da escolha escolhendo não exatamente um livro DE banca, mas um livro NA banca. E, empenhada em conhecer mais os clássicos da literatura mundial, elegi “Madame Bovary” de Gustave Flaubert, numa edição de bolso da L&PM Pocket.
UM POUCO SOBRE O ROMANCE E SEU AUTOR:
Gosto de conhecer um pouco o contexto de produção da obra e alguns aspectos da vida do autor, pois acho que me dá mais elementos para compreender a história. Interesso-me muito pelas biografias e por conhecer o percurso vida e obra: como nossa vida se reflete na obra?! Como o tempo vivido e o momento histórico se revelam no texto? Em função disso, li alguns textos sobre a vida do autor e suas obras. No próprio livro, uma pequena introdução apresenta sua história de vida, marcada por perdas significativas (irmã, sobrinha), doença (epilepsia), descontinuidade em sua carreira de escritor e um bom período de bon vivant, até o momento em que decidiu tornar-se escritor em tempo integral. Madame Bovary foi sua primeira incursão mais disciplinada. Dedicou-se 5 anos a essa obra, ficando recluso em uma propriedade da família em Croisset.
Madame Bovary é considerada a obra prima de Flaubert que chegou a sofrer um processo por terem considerado sua obra uma ofensa à moral (ui, isso então é que acende a vontade de ler). Descobri, por meio da leitura de uma resenha muito bacana de um especialista em literatura, que G. Flaubert se inspirou em elementos biográficos para escrever a história. A partir da leitura de uma notícia polêmica sobre uma jovem (a protagonista de seu futuro romance), ele saiu em busca de ouvir várias versões das pessoas que a conheceram sobre o episódio, até compor um quadro o mais próximo do acontecido.
O autor é um crítico ácido da sociedade aristocrática e decadente na França do século XIX, com seus valores hipócritas, relações de interesse, ideais românticos. Ele é incisivo e nessa pequena obra podemos ver descortinarem-se diante de nossos olhos toda a sua visão a respeito da sociedade francesa de então. Proust considerava que Flaubert foi responsável por uma literatura de ruptura porque deu sentido e substância ao romance de análise psicológica. Considera-se também que ele é um dos precursores do realismo.
MADAME BOVARY:
Vou pedir licença aos colegas participantes do Desafio para anunciar que minhas resenhas NÃO vão contar a história, viu?! Eu, pessoalmente, não gosto de saber detalhes sobre filmes e livros que desejo ler, acho que quebra o encanto do fator surpresa. Sobretudo se me contam o fim ou algo muito crucial da história. Gosto de me surpreender, de não saber o que vai acontecer com os personagens. Por outro lado, acredito que quando comentamos impressões mais gerais, temos a chance de incitar o outro a ler/ ver o filme. Vou tentar uma linha de resenha que siga esse tom: provocar curiosidade, contextualizar a obra, compartilhar minhas impressões gerais. Combinado? Vale assim também? Espero que sim.
O romance conta a história da jovem Emma - leitora de romances românticos-, seu casamento e suas inquietações. A vida real, o casamento, a maternidade, contrapõem-se as expectativas que Emma têm de um amor idealizado, de uma vida interessante. Em volta da personagem, um mundo de outros personagens aparecem, revelando as relações de poder da época, os valores sociais, os hábitos e costumes de então. Sem viver as paixões quiméricas de seus romances, Emma Bovary leva uma vida de desencontros, insatisfação, busca e frustração. O romance se constrói em torno do sentido (ou falta de sentido) que permeia as relações sociais.
Li um artigo sobre essa obra (já me referi a ele) que gostei muito. Quem tiver curiosidade, confira: http://www.revistasamizdat.com/2008/03/madame-bovary-de-gustave-flaubert.html
COMO O ROMANCE ME “PEGOU”
Pegou de jeito. Gostei muito da leitura. Flaubert é descritivo em muitas passagens, floreando os cenários em que transcorrem as situações e detalhando emoções com imagens ricas e minuciosas. Ao mesmo tempo, ele tem tiradas ácidas, de um humor ágil, que traduzem sua visão dos absurdos e hipocrisias que conduziam as relações sociais, com sua moral decadente. Diferente do que li a respeito do impacto do livro sobre muitos de seus leitores, eu não odiei Emma Bovary (a personagem central), a tragédia dela é a de muitos de nós, perdidos entre o ideal/ irreal e uma realidade com a qual nem sempre conseguimos nos conectar. As vezes, eu acho, o mundo dentro da ficção pode parecer tão mais interessante... A vida real é um desafio. Exige atenção, exige conexão. No romance, na idealização, podemos ficar sós com nossa imaginação, centrados no universo que criamos. E o outro... o outro é só um espelho. Eu gosto da vida real, mas o espelho, não posso negar, fascina e atrai.
Não posso dar nota. Céus, eu dando nota para Flaubert? Aliás, eu já sou ruim de dar nota para meus alunos pois acho dureza medir alguma coisa com números. Fico então com a minha impressão geral: o romance me pegou. Vale a pena a leitura.
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DESAFIO LITERÁRIO 2010
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