terça-feira, 3 de setembro de 2013

A vida deu muitas voltas. Enrolou. Apertou. Machucou. Amassou. E eu fiquei de poucas palavras. O sentir estava maior que tudo. Entoquei. Mas... hoje recebi mensagem da Valéria. Me animei. Um recomeço?

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Mudança

Ujjayi Pranayama é uma técnica de respiração utilizada na Ashtanga Yoga. Produz muito calor, se diz que com essa técnica o praticante produz energia suficiente para derreter gelo. Disso eu não sei. Sei que respirar é estar presente, e estar presente não é nada nada fácil. Cabeça que voa... Enraízar é um desafio.
Ontem conheci a nova professora do Instituto onde pratico yoga. Resisti a ideia da novidade, afinal meu antigo professor estava saindo e eu, apegada que sou ao que já conheço (e gosto), estranhei. Mas a vida, sempre ela, nos tira do lugar (se a gente deixar, claro). E fui no fluxo. Nova professora, linda, leve, atenta. Mais algo para gostar e gostar é bom...

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Voltando...

Sumida daqui ... mas sempre lembrando desse canto e planejando pousar nele. Sexta-feira, próxima de momento de decisões, mudanças de rumo importantes. Tenho me preparado para isso faz tempo, mas quando chegam, é sempre desafiante.
Minha amiga R., que me brinda sempre com textos que gosto (e outras coisas também) me mandou a pouco tempo as considerações de um professor de línguas, que diante da confusão de seu aluno com relação a um novo aprendizado - e aqui eu faço o resumo do resumo, pondo em foco o que me tocou - algo como "que bom que está confuso pois diante do novo é mesmo legítimo que fiquemos confusos". Atualmente, época de velocidades e respostas ágeis e prontas, se permitir o tempo da dúvida, da confusão, da reflexão é mesmo difícil. Mas é tão necessário...
Momentos de confusão, de tomada de posição. É Thiago de Melo quem vem em meu socorro: "A hora é do boi da cara preta, que eu seja capaz dela puta merda!".

sábado, 12 de fevereiro de 2011

PALAVRA


Até onde vão as palavras?
Aquelas e as outras...

Elas te alcançam?
Te lançam para o lugar que convido?

Até onde vão as palavras?
Chegam, lá?!
Os ouvidos, ouvem?
Ou apenas escutam?
O que falo, fala com você?
O que escutas, já está em ti?
Do que falo, te toca o coração?
Ou não?

Quero falar pra toda gente
e escutar todo mundo diferente
quero poder escutar e ouvir
aquilo que não sei o que quer dizer
quero dizer depois de ouvir
e conhecer
te
reconhecer
me

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

O ano começou bem...



 O ano começou bem, muito bem. Até agora, tenho feito um bocado de coisas de que gosto. Mesmo sem estar de férias, tenho me sentindo vivendo com espírito de férias. Me explico e aproveito as palavras de Domingos de Oliveira em seu blog: Férias é um tempo de fazer coisas que dêem prazer, lúdicas, mesmo que você fique cansado.
Então, entre atividades intensas e um cansaço ou outro, estou no clima veraneio dentro de mim.
Para começar, devorei os livros acima. Duas belíssimas surpresas. Comecei com o Polar, livro de Ian Mac Ewan, escritor que sempre quis conhecer e que lançou recentemente o livro a que me refiro. Mordaz, bem escrito a beça, de leitura prazerosa. Em seguida entrei fundo em "Karluk" que trata do naufrágio na fria Antártica de um navio (homônimo do título do livro) que fazia uma expedição científica. Foi escrito por uma jornalista a partir das notas deixadas pelos sobreviventes. Incrível acompanhar o que as situações extremas provoca nos diferentes tripulantes e cientistas envolvidos na expedição. "Quem é homem age como homem e quem não é, como vira-latas", diz um dos personagens. Li vorazmente, curiosa, envolvida com a história.

Fora esses livrinhos premiados, fiz duas viagens tão tão gostosas. Angra de um lado, Búzios de outro. Com gente de que gosto e aprendo a gostar cada vez mais com a passagem dos anos. Aprendo, eu digo, por que fui aprendendo que é preciso usufruir da relações com uma aceitação do que cada um é, sem tantos julgamentos, expectativas, comparações. Estar aberto para um outro completamente outro. Parece óbvio, mas o outro é o outro. Mesmo. Não é você, sua extensão, seu desejo. E me abrir para isso é uma conquista do tempo. Não o cronológico, mas aquele que os olhos de ver vão instaurando dentro de nós. O tempo dos afetos, da vida, da experiência.

E fora as viagens, e fora os livros, o trabalho. Em janeiro, mais uma vez, participei de uma formação muito cara para mim. Estava leve, leve, leve. E foi bom viver dessa forma essa experiência. Sem ansiedades demasiadas, apropriada de mim mesma.

E fora as viagens, e fora os livros, e fora o trabalho, a família. Filhos que crescem, entram em novas fases da vida. Dor e alegria. Dor que é da parto, ver sair de dentro de você, ver sair de perto de você e ... sentir saudades daquele quentinho que ficava ao alcance de um abraço mas por outro lado, deslumbrar-se com a vida que o filho vive. Seus caminhos que não são mais perto dos seus passos... bebês, crianças, jovens adolescentes, adultos jovens. Tão bonito ver esse crescimento e também tão difícil.

Então, esse ano está começando assim. Mais tranquila, mais leve, tocando a vida com uma velocidade mais tranquila, a tempo de sentir o vento.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

ÚLTIMA POSTAGEM DO ANO: CORAÇÃO ANDARILHO

"Inventar é uma saga antiga, precedeu-me antes do nascimento. Talvez tivesse sido a vocação de meu avô, Daniel, imigrante galego, que se aventurou cedo a cruzar o Atlântico, obedecendo ao gosto da aventura, e à necessidade de instalar-se numa terra que lhe ofertasse horizontes mais amplos. Ou talvez inventar tenha começado com meu pai, Lino, igualmente disperso e com a cabeça tantas vezes mergulhada nos livros." (Nélida Piñon)



Encerrei o último "Desafio Literário 2010" (veja link na barra da lateral esquerda). A proposta - um tanto exótica -  era escolher um livro cujo título contivesse a palavra "coração". Lá fui eu para o site da Livraria da Cultura, de quem sou fiel cliente, digitei "coração" e um bom número de títulos me desafiaram: e aí? Qual escolher?   Aproveitei a oportunidade para conhecer, enfim, o sabor da pena da primeira mulher a ocupar a direção da clã masculino que é a Academia Brasileira de Letras. Desde o início do ano  o livro me aguardava na estante, com a paciência que só os livros têm.

Devo dizer, não foi uma paixão "a primeira página" (que isso acontece, viu?!). Comecei de vagar, estranhando a escrita que me pareceu, de início, pomposa. Talvez, esperando encontrar nas memórias de Nélida, uma escrita mais "natural" (na falta de outra palavra para traduzir a expectativa de um texto, talvez, mais com cara de conversa), tenha estranhado o estilo "refinado" de sua escrita. É um texto rebuscado, carpintaria de palavras. Mas, como tudo que é novo nos causa um primeiro susto, passado esse momento, fui mergulhando e sendo capturada pela narrativa da autora.

Ao longo da leitura, me emocionei com várias passagens, de marejar os olhos... e pensei que responsabilidade é essa de comentar sobre os livros, por menos pretensioso que seja o comentário. Então o autor se dedica durante um quase sempre longuíssimo período a transformar sangue e alma em letras e chego eu, leitora apressada, escrevendo um texto sobre o que achei da leitura, assim, de pronto?! Fiquei encucada pensando nisso. Pois bem sei, embora esse não seja o meu caso, simples apreciadora escrevendo em um blog de pouca circulação, que críticas aligeiradas têm a capacidade, por vezes, de disseminar ideias e influenciar possíveis leitores futuros (para "o bem e para o mal").

Claro que esse é UM lado da coisa toda, que acho bom levar em conta. O outro lado, que também acredito firmemente, é que precisamos sim exercitar nossa capacidade e pontecialidade de fazer "leituras", enunciar nossas palavras a respeito do que lemos, pensamos, vivemos. Não é "a última palavra", nem A melhor, nem A pior. Mas sim, a nossa palavra, assumida, concretizada. Nos submetemos diariamente a um consumo, mais das vezes, involuntário ou quase mecânico, de imagens, textos, sons, e pouca oportunidade criamos para dizer algo sobre como tais expressões nos afetam. Dizendo assim, trazendo a palavra para esse terreno de ser UMA palavra, nem final, nem a verdade, nem a única. Mas A sua palavra, o seu olhar. Que, por cuidadoso que seja, traz um fragmento de vida, um olhar, um suspiro.

Coração Andarilho é um livro de memórias de Nélida Piñon. Como ela mesmo diz, não é um diário, não tem o compromisso, portanto, de ser fiel a uma cronologia, de relatar fatos. Trata-se de um processo de escolhas, escolhas afetivas, por narrar sobre pessoas, experiências, momentos de vida que, de alguma forma, foram significativos para a autora. Seu mote: como nos formamos? que experiências vão constituindo a escritora que sou? Tendo tais perguntas como bússolas, ela põem em cena excertos de sua trajetória de andarilha. A infância carioca, as experiências com sua "grei" (termo que ela utiliza muito e achei lindo!). Seus pais, de origem espanhola e galega, são referências sempre presentes que, no conforto afetivo e na alimento cultural, constituíram-se nos pilares de Nélida. Um avô especial, tias queridas, amigos-casa aparecem em cena, e sobre eles, ela nos conta passagens que os tornam figuras vivas, bonitas, amigas. Também é muito forte em seu livro as experiências de vida em outros países, a relação com sua casa, suas referências literárias, os sentimentos ligados a reflexão sobre a velhice e a morte. Um belo livro, bom para ler com vagar mesmo. Saboreando e deixando os pensamentos voarem.

Eu sei que a lembrança da minha própria "grei" veio muito forte... Do avô filho de espanhóis, da avô querida, cuja origem humilde e sem história, me impede de saber com certeza sua ascendência (dizem que índios e portugueses fazem parte dessa família da avó), das mesas cheias até o excesso nas festas natalinas, da menina que fui observando tudo isso com susto, curiosidade e fome de sentido. Fiquei com saudades de Aquiléa e Moacyr, da uma Espanha das Ilhas Canárias, origem da família ao qual eu atribuo esse sentimento de imigrante que me é tão forte. E não somos todos imigrantes?!

Última postagem do ano, quero elogiar publicamente aqui a iniciativa do blog da Vivi. O "Desafio Literário" me estimulou a ler vários títulos e autores que queria conhecer. Foi um pretexto, um incentivo. Senti falta de mais troca entre os participantes, acho que no final todos estavam mais cansados e meio sem fôlego. Normal né? Ainda mais com tantos participantes do Desafio... tantas resenhas para ler... Ainda assim, foi muito, muito bacana receber os feed-backs dos outros participantes (e dos amigos fora do Desafio, claro!), acompanhar as leituras coletivas e etc. Poucos foram os meses em que não cumpri meu desafio literário. Minha lista para 2011 já está pronta e postada no blog. Assim: MUITAS BOAS LEITURAS PARA TODOS NÓS, SALVE 2011!!!
(Para saber mais sobre Nélida Piñon, sua obra e trajetória: http://www.nelidapinon.com.br/autora/aut_biografia.php, 
http://www.nelidapinon.com.br/fotoalbum/familia/PhotoViewer.html)

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

DECISÕES DE ANO NOVO

Fomos nós que inventamos de contar o tempo em horas, dias, meses e anos. Para os povos indígenas, um hábito estranho. Contar quantas luas a pessoa viveu?! Acredito que essas invenções foram criadas para nos dar algum sentido de controle, de que está em nossas mãos a administração dessa matéria tão misteriosa e volátil que é a vida. Por isso, pensar num "ano novo" é engraçado. O tempo, fluxo que é, não se encaixota em anos. 


Nélida Piñon me inspira a ollhar para esse ritual do ano novo com olhos de inventora. Na verdade ela se refere ao Natal, mas encaixa perfeitamente para o Ano Novo, ela diz:
"(...) Ah, sem dúvida, dezembro tem fome de quimeras. Incluindo as minhas" (Pion em Coração Andarilho). 
Renovando minhas quimeras, meus sonhos, minhas Odisseias pessoais (por que para cada um, os caminhos têm esse sabor de grandes aventuras...), reafirmo alguns desejos (outros ficam escondidos, com vergonha de não sairem do plano dos sonhos...) mas aqui, por hora, vou falar de um. Talvez de outro em nova oportunidade.

1) Estudar francês. Eu sei, muita gente pensa que afinal de contas, aprender essa língua não tem tanta utilidade assim. Já foi o tempo em que o francês era visto como língua indispensável. De olho no mercado internacional, no sentido utilitarista da língua, essa não seria mesmo uma boa escolha. Mas é a minha. Acho a língua tão linda e já faz tempo que entro em cursos, namoro, mas ainda não transito com familiaridade. Acho que não tenho lá grandes facilidades, vai ver é isso. Vai ver é preciso morar mesmo em algum lugar, ter uma relação de necessidade comunicativa na língua, praticar diariamente...  Não sei. Sei que tenho um bom motivo - a apresentação de um trabalho na França em Maio. Isso já inspira. Algumas direções também: ler, ouvir, ler, ouvir. Experimentar novas formas de estudar que possam ser boas para mim.

Alors... vamos ver se consigo. Tenho experimentado que, colocando alguns focos, nos movimentamos. Não exatamente para onde queremos, mas para os caminhos que surgem em função dos movimentos que fazemos. O movimento precisa ser feito. Os frutos, sempre surpresas. Mas eles chegam. Eu acredito.